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Quem Sabe O Mal Que Se Esconde…

Quem Sabe O Mal Que Se Esconde…

Há muito venho querendo falar sobre este filme. São múltiplos fatores que me agradam nele, mas por incrível que pareça, as cordas não são o elemento principal. Farei o possível para não dar spoilers, logo, vamos à análise…

A história em si parece banal: “Um estranho invade o lar de um casal, imobiliza o marido, e tendo todo um fim de semana à disposição, inicia um lento jogo com a mulher, um jogo de ameaças, medo, obediência e intimidade”[1].

O que se vê a seguir é um desenrolar violento, cheio de reviravoltas. Uma história que nos questiona pela contundência, que nos faz refletir sobre valores. É bastante perturbador em vários trechos. Pode não ser indicado a pessoas mais sensíveis.

Há um cuidado da produção e da direção, (assim como dos atores), que empregam um realismo cheio dos detalhes, que vão se encaixando como peças de um quebra cabeças desafiador. Ângulos de câmera, referências a fetiches, citações, tortura, violência, vão pintando um quadro e conduzindo a narrativa. Ora somos levados pela revolta, ora pela curiosidade.

A utilização do kinbaku (shibari) perfeitamente realizado[2], o crescimento do controle exercido de forma gradual pelo personagem principal, e a mudança de comportamento de todos os envolvidos vai encontrando espaço em nossas emoções e raciocínio, e nos leva inevitavelmente a perguntas que vão muito além da história.

Pode não ser um filme sobre BDSM propriamente, mas ele levanta um questionamento sobre o comportamento humano que deveria ser primordial, mas que passa desapercebido por muitos.

Assistam e me procurem para conversar a respeito. Vou adorar.

[1] Tradução livre da sinopse do IMDB

[2] Wykd Dave, Rope-topia

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