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Test Drive

Test Drive

No processo inicial de conhecimento mútuo entre Dominador e submissa (vou usar a versão Masculino/ feminina aqui, mas o argumento é válido para quaisquer combinações de gênero nas posições do “modelo” D/s) é muito importante, como já frisei em alguns textos um diálogo claro e objetivo.

Por mais que seja intimidador, à princípio, falar de seus desejos e vontades (mais uma vez, vale pros dois lados), quanto mais claros esses assuntos ficarem, melhores chances existirão de se descobrir compatibilidades, possibilidades e ir adiante, ou não…rs. Poder correr de uma cilada em forma de pessoa antes de se cair nela é importante!

Contudo, por mais que se converse, chega uma hora em que temos que descobrir se a química, sintonia, “bater de santo”, clique – ou qualquer que seja o nome que você dê ao impacto do primeiro encontro – funciona. Para isto, inevitavelmente, o primeiro encontro tem que acontecer.

Esta data, que sempre esperamos seja memorável, é onde o contato no “mundo real” é feito, onde a foto-texto-descrição-promessa se concretiza em uma pessoa. Mas eu já falei sobre esse momento, quero ir mais além:  Ao primeiro encontro mesmo, onde vai rolar sexo (ou não, há gostos e gostos), D/s, e toda a parafernália de que se falou, combinou, prometeu…

Pode acontecer de tudo dar certo. Pode acontecer de algumas coisas falharem, e precisarem de ajustes. E pode acontecer de nada funcionar.

No momento em que se pode olhar e sentir estes resultados, eu acho muito importante

Mulher amarrada à frente de um caminhão

Evite um caminhão de problemas…

que se volte ao diálogo e clareza. Mesmo que não ali, na hora e tal.

Esse é o momento onde podem acontecer algumas coisas:

– A submissa que estava à procura do seu “Dom na armadura brilhante”, decide que achou seu escolhido, já chama de dono, senhor, mestre, implora coleira, senha do Fetlife, e por aí vai

– O Dom que estava à procura de uma sub quer marcar sua posse e faz demandas desmedidas e fora de contexto, como títulos, coleira, senha do Fetlife, lista de amigos, e por aí vai.

Não seria lindo se os dois se encontrassem e desse tudo certo? Mas…suponhamos que não? Já volto a falar nisso. Continuando com a lista:

– Você achou a pessoa interessante. Mas não é quem você procura.

– A pessoa é legal, mas não há química

– Há muita química, mas devido a problemas na vida baunilha, manter o relacionamento será problemático.

– Ambos mal podem esperar pela próxima vez.

Os dois primeiros casos me parecem resultado de muita ansiedade e impaciência. Eu sei que é difícil o longo tempo de espera até achar uma pessoa legal pra compartilhar os desejos e fantasias. Mas, a não ser que seja uma questão de desespero, que tal ir com calma? O maior risco que eu vejo nesses dois casos é a pressa ser tanta que o que o outro pensa, sente ou expressa a respeito não faz diferença. Daí temos:

“Ele saiu comigo, eu me submeti. Ele é meu dono, isso é óbvio, não?”

“Ela saiu comigo e aceitou meu controle. Não há dúvidas que ela usará minha insígnia, ela é minha agora”

Que tal consultar essa outra pessoa e não tirar conclusões precipitadas que vão acabar magoando a você mesmo (a) e ao (à) outro(a)? Tenho lido e sabido de situações onde essa visão unilateral é adotada, e pior: Se não há correspondência real, quem não entrou no sonho forçado rapidamente é “detonado(a)” no meio como alguém sem escrúpulos que deve ser evitado(a). Isso é vil, imaturo e mesquinho. Mas, enfim, algumas pessoas o são.

Meu ponto aqui é: esse primeiro “tira-teima” é fundamental pra revelar se foi um primeiro encontro ou um único encontro. Sejamos conscientes. E claros. Pode ser chato dizer para o outro que “foi muito legal, mas não funcionou”.  Mas manter um relacionamento desconfortável, mesmo que por pouco tempo, vai ser muito mais que chato.

Mulher amarrada no capô de um Mercedes Benz enferrujado

Pronta para o test drive

Detesto analogias mecânicas/automotivas, mas esse test drive é necessário. São muitos detalhes, muitos ajustes, muitas expectativas em jogo. Para que elas se harmonizem, tem que haver um campo de possibilidades que permita isso.

Aviso aos apressadinhos: Não estou pregando promiscuidade. Não estou instigando um “passar o rodo em quem aparecer”. Estou falando de maturidade para entender que um encontro pode ser único. Seja no sentido mágico de uma primeira vez memorável, seja como esclarecedor de que “ainda não foi desta vez” e ter o discernimento para diferenciar e aceitar ambos os resultados.

Eu sei como é frustrante ter as expectativas não correspondidas. E ter que reiniciar todo um processo de conhecimento e diálogo com outra pessoa. Isso é um saco, e dá vontade de desistir. Como já fiz algumas vezes.

Mas tenho tentado encarar isso como a oportunidade de chegar aos encontros memoráveis. Perseverança dá trabalho, mas também pode dar bons frutos.

Originalmente publicado em 07/09/2013

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