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Requer Destreza e Habilidade

Requer Destreza e Habilidade

Então você andou fuçando online na Internet sobre o mundo “pervertido” do BDSM, viu alguns filmes, tons, encontrou comunidades. Fetlife, Facebook, WhatsApp, Snapchat, Tumblr, e chegou à conclusão: “Eu sou um Dominador!”[1]

Bom, bem-vindo ao fabuloso mundo dos fetiches, do BDSM, das chamadas “taras”. Mas agora que você está aqui, eu tenho um desafio para você: Como você tem certeza disso?

Como tudo que viu te afeta? Como chegou a essa conclusão? Você se viu no lugar do Top (pera, não era Dominador…que história é essa de top?), capturando, algemando, amarrando batendo, ordenando, castigando e… isso te “cutucou” por dentro? Fez sentido?

Dito isto… Se realmente esse mundo, por mais misterioso que ainda pareça a você que está começando, faz sentido, se algo dentro de você, de sua mente, de seus sentidos te impulsiona, vá em frente e descubra.

Meu primeiro conselho é: Se informe, leia, estude. Existe hoje em dia, como em todos os assuntos, um mundo de informação à sua disposição. Muitos já trilharam esse caminho e estiveram aonde você está, com muito menos recursos.

Capa do Livro "screw the roses, Send me the Thorns"Se você é do tipo autodidata e domina o idioma inglês, você tem o privilégio de ter acesso a livros muito bons que desmistificam o assunto, seja de forma séria e objetiva (SM 101: A Realistic Introduction by Jay Wiseman) ou muito bem humorada (Screw the Roses, Send Me the Thorns: The Romance and Sexual Sorcery of Sadomasochism by Philip Miller, William A. Granzig, and Molly Dean). Eu recomendo este último.

Ambos são uma imersão em fontes fantásticas de informação e conhecimento. Dê o devido desconto à época em que foram escritos, dependendo da edição que conseguir pôr as mãos. Nem por isso o conteúdo principal, o núcleo de tudo que falam, deixa de ser atual

Se você ainda se sente inseguro para ir a um encontro ao vivo com as pessoas do “meio”, tente contatos com elas através da internet. Existem grupos sérios, que o receberão e oferecerão sugestões, materiais de leitura, estudos etc. Eu sugiro fortemente o grupo BDSM Brasil, no Facebook. Os moderadores são pessoas sérias, respeitadoras e entendem do assunto.

Mas nada irá substituir o contato real, a descoberta de que você não está sozinho, de que há outros que pensam como você. O poder transformador deste passo é difícil de descrever neste artigo.

Internacionalmente, os encontros de pessoas do meio BDSM são chamados de “Munchs”, mas aqui, existem caminhos mais informais, como eventos e festas, onde os holofotes não se voltarão tanto sobre você.

Algumas armadilhas no caminho:

· Não se envergonhe de dizer que está iniciando. Há uma falsa expectativa de que todo Top tem que ser proficiente em tudo, saber tudo, dominar todas as técnicas. Este preconceito existe não apenas da parte de outros Tops, mas de bottoms, também.

· Não ache que uma prática é fácil só porque a viu sendo executada ao vivo. Todas elas demandam conhecimento e técnicas cujo domínio irão diferenciar o praticante sério do perigoso fanfarrão.

· Não caia no canto das sereias. Uma relação Top /bottom vai muito além de rótulos, nomes, posições. O canto das “subs de alma” que irão prostrar-se a seus pés ao saber de qual lado você se encontra tem o dom de iludir aos iniciantes.

· Mesmo que já tenha adquirido alguma experiência ou dominado alguma prática, como aprendiz, seja cuidadoso ao escolher alguém para iniciar um relacionamento. Estar do lado que “controla” não o isenta de pessoas mal-intencionadas.

Leve o tempo que for preciso…

Homem lubrificando um plug anal com mulher ao fundo nas sombras

Algumas coisas são melhores lentamente…

Não tenha pressa. Saiba quem é, admita suas inseguranças e trabalhe para que elas se transformem em simples passos do percurso. Descubra como encaixar o que aprender em seus sonhos e desejos, nunca o contrário. Encontre seus próprios protocolos, sua própria maneira de estabelecer a hierarquia. Você pode gostar de formalidades e rituais, pronomes de tratamento. Ou pode desejar exercer o poder que lhe é concedido de forma mais fluida. Lembre-se: O Manual Sagrado do BDSM não existe.

Existem conceitos, conhecimentos, definições, que estabelecem um território comum para que se saiba do que se está falando, o que está sendo feito, como e porque está sendo feito. Há uma linha entre “eu faço as coisas do meu jeito, minhas regras é que valem” como justificativa para o desrespeito, e “Decidi que, na minha troca com o outro, as regras atenderão a algo que nos satisfaça a ambos”.

O segundo caminho é baseado em respeito e consensualidade. Ao optar pelo primeiro, você definitivamente não terá lugar entre as pessoas sérias do meio, e as portas se fecharão. Pelo menos as que levam a bons lugares.

No fundo de tudo isso, você e o outro são pessoas. Carne, ossos, sangue, suor e lágrimas. Cada um com sua maneira de ver o mundo. Ache as similaridades, respeite as diferenças, e em comum acordo construam seu relacionamento. Que certamente estará dentro dos conceitos que aprendeu, e pode ser semelhante a muitos outros.

Mas que terá sempre sua liberdade e individualidade.

Seja dono de si mesmo e encontre uma pessoa também dona de si mesma, capaz de reconhecer em você alguém capaz de receber a responsabilidade de fazer dela o que desejar.

Ao receber esse poder e exercê-lo com sabedoria e cuidado, uma nova jornada começa. Boa viagem.

[1] Mais uma vez, relembro: Os gêneros descritos aqui fazem parte do meu referencial. Isso não quer dizer que eu acredite que todo Top é homem e toda bottom é mulher, e que não haja outras possibilidades.

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