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Perfeição

Perfeição

Hoje li um post de Marika Leila, minha “ídala” máxima quando se fala de cordas. Neste post ela fala de sua trajetória. Do quanto queria se incluir e fazer parte, do quanto tentou se fazer de inquebrável, invencível, a “topa tudo”. E de como isso a feriu, de como se machucou, de como teve que se reinventar. E hoje, pelo menos para mim, ela é uma inspiração.

Ler esse post me emocionou muito. Ela compartilhou uma experiência, uma história de vida, nesse meio tóxico que é a internet exatamente para mostrar que existe um outro lado. Que existe luz.

Quantas e quantas pessoas mergulham cegamente em busca de resolver seus problemas através de uma tendência ou moda, apenas para descobrir que elas levam consigo quem são, sua vida e seus problemas.

Você não desliga quem é por escolher um papel. Você não apaga seus problemas. O pior (ou melhor – aviso aos detratores, isto não é uma apologia às drogas) que não é como tomar um porre, fumar um baseado ou coisa pior. Estes, enquanto não viciam e te destroem por isso, te desligam por um período.

Num relacionamento BDSM, a anestesia pode sair caro, não importa o caminho que você escolher. Pode gerar traumas profundos, pode detonar sua vida como qualquer droga, com efeitos devastadores, se você não souber o que está fazendo, se você não se informar, se você não questionar

O mais importante é que, mesmo informado, mesmo entendendo os riscos, mesmo conhecendo práticas, você não está se desligando de quem é, ao contrário: Você está assumindo uma parte de sua personalidade. Se não consegue enxergar isso, você está perdido, em vários sentidos dessa palavra.

Não deixamos de ser nós mesmos por causa de nossos desejos e fantasias, eles são parte de nós. Se não forem, você está no lugar errado, ou pior, precisa de uma terapia urgente.

E ao entrar, não se menospreze! Você não é inferior a ninguém! Se decidir ser um escravo(a) é porque você deve estar seguro de quem é e ao mesmo tempo conhecer e confiar muito na pessoa a quem concede esse poder sobre você.

E não precisa ser o melhor de todos, não precisa saber de tudo, não precisa decorar textos, não precisa arriscar a si mesma(o) e a outros para ser reconhecido e fazer parte. De novo, se é isso que busca, bateu numa porta muito errada, e a terapia continua como indicação.

Dados de RPG em metal

Cuide de seus “pontos de vida”

Não é um teatro. Não é um grupo de amigos num jogo de tabuleiro. Não é um RPG (embora possua muitas características desse tipo de entretenimento). Não é algo que se liga e desliga. É algo que se experimenta e que faz ou não sentido. A busca pela experiência pode ser um indicativo de que é uma parte sua que precisa emergir. Mas, se a experiência for apenas para agradar outra pessoa e não a você mesma(o), por favor, renove sua autoestima e procure um tratamento. Não faça nada disso por ninguém que não seja você mesma(o).

E mesmo com todos esses cuidados e preparação, não tem manual. Aliás, faz parte de algo que chamamos de vida, que também não tem um tutorial instrucional.

Envolve respeito, envolve consentimento, envolve conhecimento. Como aliás, deveriam ser os relacionamentos, creio.

Quando se diz que BDSM não é brincadeira ou moda, como a mídia e os oportunistas insistem em fazer crer, não é para defender um território, demarcar fronteiras. É só um sinal de respeito. É como escolher as pílulas em Matrix. Você sabe o que vai acontecer se for informado. Mas se escolher pela cor, o resultado pode ser o inverso do que esperava

E, aproveitando a referência, a “realidade” tem a ver com nossa percepção e como construímos o que chamamos de mundo, vida, jornada. Nem sempre temos clareza de nós mesmos, mas “quem somos” tem que fazer sentido, tanto nos defeitos como nas qualidades. Nós temos que ser nossa principal referência.  Claro que amigos e pessoas que elegemos como importantes em nossas vidas nos ajudam a nos construir, a melhorar. Mas no fim somos nós.

Temos que ser nossa companhia. Nos levamos aonde quer que formos. E levamos tudo que somos. Não importa quão longe, quão afastado você fique de tudo e todos. Você estará lá. Que tal gostar de você? Esse pode ser um desafio gigantesco. Mas não é impossível.

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