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Mar de Títulos

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by | Textos, BDSM | 0 comments

Baleia Enfezada

Seria este um monstro?

Recentemente estreou nos cinemas  a versão cinematogáfica de um ótimo livro, “Mar de Monstros”de Rick Riordan. Se o filme seguir a linha do anterior (O Ladrão de Raios), fuja. Deve ser algo tão entediante quanto a situação que me instigou a escrever esse post.

Tenho lido , ouvido e testemunhado muitos equívocos relacionados  a títulos e posturas.

Mestre, Senhor, Lorde, Dom,  são alguns entre os títulos mais comuns encontrados no meio D/s-BDSM. Da mesma forma, submissa, escrava, kajira, cadela, entre outros, fazem o mesmo para o outro lado da relação.

Associados a eles estão geralmente alguns adjetivos relacionados ao imaginário de quem os criou, gerealmente visando acrecentar uma aura de poder, ou para marcar sua posição no binômio D/s, ou mesmo expressar uma posição intermediária, como no caso dos switchers.

Como em qualquer escolha de nick, nome de usuário, avatar, que vai representá-lo qualquer que seja o site online,  a idéia básica é que ele expresse algo a seu respeito. Claro que os mais preguiçosos ou menos criativos pode optar por Mestre12345 ou submissaabcd, mas ainda assim, há uma posição marcada.

Como cada relacionamento é uma história, expressa a maneira como os envolvidos nele acreditam que devem ser a troca ou hierarquia de poder.  Ao se intitular kajira, a referência ao universo ficcional de John Norman se torna clara,e a outra parte irá escolher um título igualmente adequado, como , Senhor, Jarl, Ubar, ou o que funcionar para a “fantasia real” a ser vivida.

Contudo, vejo com frequência pessoas no “meio” assumirem títulos e os tomarem como verdades absolutas. Bem toda verdade absoluta é um saco. Por favor se informem, a teroria da relatividade já está ficando velha.

Há pessoas  que se intitulam Mestre  Senhor Lorde Dom  (é , tudo num só, haja insegurança). Até aí tudo bem. Meu lema é : se funciona pra você e para quem está com você, seja feliz.

Esto me repetindo aqui: Códigos de conduta tem que ser aceitos pelos participantes do mesmo. Se são impostos, você PODE ou não aceitar a imposição. Seu comportamento não pode ser guiado só por que alguém “diz”que tem que ser assim.

Vejo muitas pessoas submissas tratarem a dominantes com deferência apenas pelo título, e não por um respeito que deve ser conquistado. Antes de qualquer acordo, conversa, diálogo ou negociação.

Auto-intiulados dominantes exigindo comportamentos de pessoas que se apresentam como submissas poque é assim que deve ser.

E aí, segue-se o ponto alto de toda a pantomima: “Então você não é um [sub/dom] de verdade!”

“De verdade” subentendendo que “se você não age como eu espero, você é ignorante é , desprezível, etc.”  é muito ridículo, para os meus padrões. Mas há pessoas que se deixam atingir por essas ofensas, vindas de gente sem escrúpulos em busca de sexo fácil.

Esse diálogo pode ser mais comum para os donzinhos/dommezinhas de última hora, mas volto a frizar que há submissos(as) que , ao não terem suas demandas atendidas, também o desclassificam como capaz de ser dominador com ofensas de mesmo calibre, apenas de referência diferente.

O que me entristece não é apenas a empáfia e a arrogância (vejam que estou me referindo aos dois lados do D/s). Mas vejo pessoas novas , que estão conhecendo a si mesmas e a esse estranho mundo BDSM cheio de encanto e de medo, se submeterem a essas falácias.

Para  algumas, o “staus quo” funcionará, ao menos por algum tempo. Para outras,uma visão distorcida e negativa acabará se impondo.titulos1

Já conversei com pessoas que se desculparam por não saber como me tratar, que ficam cheias de medo de não apresentar um comportamento esperado. Outras  se elegeram como sob meu controle, sem meu consentimento.Com todas, fui claro. Esclareci minha visão das coisas. De forma geral, a reação foi de surpresa simplesmente pela possibilidade de diálogo.

A verdade, em meu entender, tem um cunho bastante pessoal.  A mais difícil é ser honesto consigo mesmo, ser autêntico. Isso vale até mesmo para os canalhas. Um canalha autêntico é uma pessoa mais fácil de se lidar.

Minha sugestão? Use o bom senso. Converse. Conheça. Pergunte. Não “seja” isso ou aquilo a menos que saiba que é isso que quer.  Seja “de verdade” a pessoa que você é. A liberdade de poder viver seus sonhos e fantasias. Não os/as dos outros. A não ser que você descubra que eles(as) funcionam pra você.

Não compre livros pela capa. Não entre em relacionamentos D/s-BDSM pelo título que o outro atribuiu a si mesmo. A não ser que você descubra que eles funcionam pra você.

Ser livre para se descobrir e decidir se quer o seu próprio título ou não tem que funcionar pra você. Ou você correrá o risco de se afogar.

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