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Luz e Sombras – 4

Luz e Sombras – 4

Raul pegou algumas cordas, enroladas do jeito que já se desenrolariam na posição correta para iniciar qualquer amarração. Pegou também a mordaça spider, um aro de metal com hastes saído do círculo e se curvando em um v suave, simbolizando as “patas da aranha”, que, poucos sabem, são para manter os lábios…fora do caminho.

Virou-se e caminhou de volta para Dani. Ele podia ver o esforço que a posição exigia, e certamente a dor que começava a causar. Isso o fez caminhar mais lenta e deliberadamente. Jogou as cordas no chão ao lado dela, ficando apenas com uma nas mãos. Ele deu voltas em torno do corpo exposto, observando, sabendo que isso aumentava a ansiedade e a tensão nela.

Dani tentava não deixar a inquietação (e a excitação) transparecer muito. Sabia que ele toleraria um pequeno ajuste de posição, um mover suave na parte do corpo que incomodasse desde que não alterasse a posição em que estava. Provavelmente ele espera por isso, pensou Dani, o que a deixava ao mesmo tempo irritada… e excitada. Pois ela sentia o controle dele nas mínimas coisas. A sensação de que não podia escapar mesmo nas coisas mais simples era algo que a aquecia e fazia sentido em seu mundo, em seus desejos. Ela o adorava por isso, entre outras coisas. Nada era fácil. Nada era como parecia.

Sua reflexão foi interrompida quando sentiu Raul se aproximar. Não por um movimento do seu corpo, mas quando ouviu o barulho da corda bater no chão, o peso dela se desenrolando e batendo no solo sempre fazendo um ruído característico. Não era alto, mas tinha um volume próprio que já estava registrado em seus ouvidos.

 

Cortes de corda de juta no chãoMal ouviu a corda e sentiu em seu mamilo exposto a textura da corda. Ele a passava suavemente pelo seio, fazendo com que a dobra do meio da corda, que sempre ficava em suas mãos quando ele começava a amarrá-la. Sentiu que ficara mais molhada a esse toque. Ele passeava com as cordas por se corpo… Subiu pelo lado de fora, passando por seu ombro, dando a volta pelas costas, encontrando seu rosto.

Essa carícia, a textura, o cheiro da corda, a excitavam, mas faziam outra coisa…era hipnótico.

 

Raul sempre apreciava esse momento. Era como o primeiro gole de um bom whisky ou de um vinho seleto. Algo que ativava seus sentidos. Mas a melhor parte era ver como ela reagia. As cordas tinham para ela um significado diferente. Ele a adorava por isso, entre outras coisas. Essa cumplicidade o excitava de uma forma diferente, que ele não sabia explicar, mas não se importava com isso.

Ele segurou seus pulsos e os abaixou, enquanto a fazia ficar ereta novamente.  Um sussurro de alívio foi inevitável da parte dela, e ele sorriu. Ele a abraçou por trás, segurando-a pela cintura e a beijando suavemente. Ele sentiu que ela relaxava, virando a cabeça para beijá-lo, fechando os olhos.

Dani realmente relaxou. Momentos assim sempre eram um contraste com… Ela não teve tempo de terminar o pensamento e seus olhos se abriram quando as mãos de Raul agarraram seus pulsos e os puxaram para trás das costas, cruzando-os um sobre o outro.  Ela sentiu as voltas da corda sendo dadas em torno de seus pulsos. A surpresa deu lugar ao desejo de vê-lo. Ela adorava olhá-lo quando estava amarrando, pois uma transformação ocorria nele. Ela não sabia precisar o que era.

Mulher de costas sendo amarrada com as mãos para trás.

A corda subiu para seu ombro esquerdo, e ele meio que a abraçava ao passa-la pela primeira vez acima de seus seios, livres do vestido que ela não sabia como ainda estava preso a seu corpo. Após a segunda volta, o primeiro aperto das amarras…ele estava travando as cordas atrás dela, e a partir deste momento, ela sabia que suas mãos não mais escapariam…

Raul terminou de ancorar a primeira parte da amarração. Ele a virou, de frente para ele. Passou dois dedos entre as cordas e a pele, alisando a corda, removendo imperfeições. Ele deu um passo para trás olhando sua obra…a primeira volta realçando já os seios expostos…o vestido desarrumado, as meias …tudo isso dava uma sensação de satisfação, vê-la assim, as roupas desarranjadas, mas formando uma beleza caótica de fractais em sua mente…

Mas a melhor parte foi olhar nos olhos dela, e ver que ela já estava em outro plano. A jornada a outro mundo estava começando…

 

Continua…

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