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Foto de Pau

Foto de Pau

Outro dia em uma conversa, por razões que não vem ao caso aqui, recebi por compartilhamento um print de um diálogo cujo encerramento era uma foto do rapaz exibindo seu símbolo de masculinidade(?), da forma mais natural do mundo.

Aquilo me deixou um tanto bastante muito revoltado. Pensei em tecer algumas linhas sobre isso e fui pesquisar. Achei uma fonte bem interessante de 2019 referenciando um estudo feito sobre o assunto.

Segue aqui o “filé” do artigo:

“De acordo com os resultados, 48% dos marmanjos afirmaram já ter mandado nudes sem a parceira ter pedido. E a principal razão para isso, apontada por 43,6% dos que já enviaram, era simples: eles esperavam receber fotos de volta. A segunda razão mais citada (em 32,5% dos casos) justificava que “essa é uma maneira normal de flertar”. Quanto a reação que eles esperavam enviando as imagens, 22% achavam que elas se sentiriam “valorizadas” ao receber as fotos.

Todas essas respostas, segundo o estudo, consideravam que a mulher poderia responder positivamente à atitude. Mas também apareceram motivações explicitamente negativas para o envio das fotos picantes: 15% dos voluntários afirmaram que enviaram nudes para provocar medo nas destinatárias, e 8% esperava evocar nelas uma sensação de vergonha – o que, convenhamos, é uma péssima forma de se aproximar de alguém.

Alguns participantes mostraram misoginia (6%) e necessidade de estar no controle (9%) como suas principais motivações. No questionário, esses resultados estavam associados a frases como “eu sinto uma sensação de desconforto em relação às mulheres e enviar fotos de pênis é algo que me satisfaz”, ou “enviar fotos de pênis me dá um sentimento de controle sobre a pessoa para quem eu enviei”.”

Se eu fico revoltado, imagina uma mulher (no sentido mais abrangente que se quiser dar ao gênero). Agora imaginem mulheres que passam por isso o tempo todo. Mulheres que tiveram experiências reais com misoginia, histórias de preconceito, de maus tratos, de estupro. É tanta falta de respeito, de consideração.

Personalidades vazias, partindo de pressupostos tão idiotas, que deveriam ser inconcebíveis. Mas não são. E o que é pior: não receberam a resposta esperada não os impede de continuar tentando, insistindo assediando. Podem até ter algum resultado, vez por outra. A falta de amor-próprio e autoestima podem gerar respostas positivas a esse tipo de abordagem.

Camiseta com as palavras Sir Master Dom

Alguns “Tops” usam camisetas buscando cobrir todas as áreas, para não perder oportunidades…

Agora, transportemos os caras que fazem isso e que tem a audácia de se considerar tops. Que tipo de relacionamento pode ser esperado de uma pessoa que pensa dessa forma? Que recursos, teorias e leis de comportamento absurdo irão impor a bottoms, classificando as que não aceitam essas imposições como falsas, ignorantes e “baunilhas” – aqui usado como pejorativo.  E aqui, também, obterão repostas positivas, pois a mesma falta de autoestima descrita acima também migar para cá, com pessoas que utilizam o “ser bottom” como alternativa de relacionamento.

Esse tipo de situação me leva à mesma tecla, já desgastada de tanto que a uso que é: descubra quem é a pessoa “por trás” do papel. As aspas representam o fato de que a pessoa não está escondida, ela está á mostra junto com o papel assumido.

Quem é a pessoa com quem você está falando? Não basta ela ser conhecida no meio ou dizer que tem 435 anos de BDSM. Quais as atitudes dela? Ela exige comportamentos pré-fabricados antes de se iniciar uma negociação? Ela exige nudes como parte de uma possível avaliação? Exige ser tratada com honoríficos sem que tenham trocado mais que um boa noite, que pode nem receber resposta? Exige execuções de tarefas como prova de submissão?

Se a resposta a uma ou mais dessas perguntas for sim, você está recebendo uma “foto de pau”. Disfarçada de hierarquia” BDSM”. Todas essas atitudes a desconsideram como mulher, a objetificam, assumem não apenas que você vale menos que eles, mas também esperam um retorno positivo. É a idéia de jerico (que me perdoem os jericos…não, não, vou mudar).

É a idéia estúpida de que fazer isso é natural, tanto na vida baunilha, como no BDSM. Ainda mais aqui onde “as mulheres que se submetem têm mais é que obedecer, caladas e fazer o que se está mandando”. Isso é tão escroto de tantas formas diferentes que nem sei por onde começar.

Melhor terminar, aliás. De novo, mais uma vez, outra vez, novamente, again, bis: QUESTIONE! Pergunte, investigue tenha bom senso. Não se submeta se entender o que isso significa. Jamais o faça se tiver dúvidas, sobre si mesmo(a) ou sobre a outra pessoa. Entenda o que está sendo proposto. Verifique se há outras maneiras. Os absolutos são a morte da individualidade.

Rejeite, bloqueie, as fotos de pau. Devolva paus maiores (correndo o risco de ter um falso top se apaixonando pelo seu órgão fake), denuncie. Não aceite imposições antes de conhecer com quem você fala. O Lorde Dom Pulsar Estéreo Mega Plus Do arcanjo Do Nono Círculo de Iniciados da Casa De Madeira de Lei tem que ser mais que esse título. Tem que ser alguém antes de usá-lo. Tem que te respeitar como ser humano. Tem que ter capacidade de diálogo, e respeito.

Mas principalmente, e antes de qualquer coisa: respeite a si mesma como ser humano. Como uma pessoa que merece pessoas de verdade. Descarte esses projetos de “cerumano” e sempre escolha a si mesma. Só assim poderá se entregar a quem te valoriza e respeita.

Mulher sentada numa praia ao por do sol

Escolha a si mesma antes de escolher alguém…

 

 

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