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Kinbaku / Shibari F.A.Q.

Kinbaku / Shibari F.A.Q.

Sempre que me perguntam sobre cordas, é comum ouvir algumas perguntas básicas. Resolvi agrupá-las em uma coletânea e respondê-las. Poderia chamá-las de PF (Perguntas Frequentes), mas como a associação com “prato feito” será inevitável, vou manter o original em inglês: FAQ (Frequent Asked Questions).

Diferentes tipos de corda

Tipos de Corda

Pergunta: Posso usar qualquer tipo de corda para amarração?

Resposta: Não. Prefira sempre as cordas de fibras naturais (juta, cânhamo) por permitirem melhor ancoragem, serem flexíveis e menos abrasivas à pele.

Pergunta: Quantos nós eu tenho que aprender?

Resposta: Na verdade, existem dois nós básicos que são utilizados para praticamente todas as amarrações. O importante é aprender como criara as formas, os nós são apenas a base.

Pergunta: Preciso fazer um curso de anatomia?

Resposta: Não, mas é importante conhecer a localização de alguns nervos, e sempre se preocupar com o fluxo da circulação. Não há necessidade de apertar demais, é possível imobilizar sem “estrangulamentos” das partes do corpo que estão amarradas.

Pergunta: Como são feitas as suspensões?

Resposta: Antes de pensar em suspender, tenha certeza de que domina bem as técnicas de amarração de solo. Não esqueça que, ao suspender você acrescenta um ingrediente muito importante à amarração: a força da gravidade. Considerações como peso, ponto sustentação e principalmente, o aumento da pressão das cordas sobre o corpo, devem ser feitas, visando sempre a segurança e o bem-estar da pessoa que está amarrada acima de tudo.

 

Pergunta: Porque cordas? Algemas são mais simples e práticas.

Resposta: Sou plenamente a favor da simplicidade. No entanto, a pergunta cria uma oposição que não existe, e parte do princípio de que cordas não são simples. Por partes então:

Primeiramente, Kinbaku é uma prática que em suas representações mais visuais e artísticas pode ser extremamente complexa

Algemas de metal pretas

Black handcuffs

sim. Mas sempre a partir de unidades mais simples. Pode não parecer, mas a maior parte das amarrações do kinbaku é feita a partir de apenas dois nós. A escolha pelas cordas passa por preferências pessoais, que não estão restritas apenas à capacidade de imobilização. Se for este o caso, é possível imobilizar rapidamente com cordas, inclusive de improviso, utilizando as técnicas do kinbaku.

O que nos leva às algemas. Não considero que haja uma “competição” sobre qual instrumento para imobilização é utilizado de forma mais “eficiente” ou “rápida”. Se for assim, Fita adesiva ou braçadeiras de plástico poderiam ser colocadas como “competidoras” também. De novo, é só uma questão de escolha.

Pergunta: Mas se amarrar é complicado, não vou perder tempo amarrando e me distanciar da relação de D/s?

Resposta: Do jeito que eu vejo essa pergunta não tem cabimento, mas vou responde-la.

Se por amarrar eu entender apenas o ato de utilizar cordas apenas para efeito estético ou como um meio de simplesmente imobilizar e conter a parte “s”, amarrando um “pacote”, (especialmente se eu não sei muito bem o que estou fazendo, usando o primeiro barbante que encontro, eu posso até concordar que estou me distanciando de uma relação D/s, mas isso cabe para qualquer método de imobilização, não? Por exemplo, voltando às algemas, se eu as usasse displicentemente, de qualquer maneira.

Uma forma de Takate Kote

Uma forma de Takate Kote

Não vejo nenhum tipo de relacionamento sem contexto. Não acho que o método faça diferença, e sim o contexto onde a D/s se insere. Se amarrar minha parceira como um pacote, de qualquer jeito[1] e bruscamente for parte do que ambos consideramos excitante, isso pode ser o melhor uso de cordas para o meu cenário. Contudo, se eu uso as cordas para imobilizar lentamente e a cada passo da minha amarração eu interajo e construo o clima que faz parte do que é significativo para mim e para minha parceira, isso jamais será perda de tempo, e estará profundamente ligado à maneira como D/s existe para nós.

Pergunta: A amarração japonesa não é BDSM, nem D/s, por que você não segue o padrão?

Resposta: Essa pergunta parte de tantos conceitos equivocados que é difícil não ignorá-la. Ela não tem nada a ver com kinbaku, mas vou respondê-la para efeito de esclarecimentos.

Como já disse algumas vezes o Manual Sagrado do BDSM não existe. Subentende-se daí que eu posso organizar as letras e definir seus significados, como um ponto de partida. Mas daí a definir certo e errado, comportamentos, dizer o que é e o que não é, muito menos o que é o padrão. Por favor me poupem que eu sou pouco.


[1] Lembrando sempre que precauções mínimas de segurança sempre devem ser seguidas. Um barbante pode provocar cortes na pele, por exemplo.

 

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