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Fodam-se as Rosas…

Fodam-se as Rosas…

Capa do lIvro "Screw the Roses , Send me the Thorns"

Capa do livro, 19 edição

Este é um livro velho: sua primeira edição data de 1995. Num capítulo sobre SM e computadores, o portal de encontros da época era uma BBS (Bulletin Boarding System), uma espécie de mural online, acessível via conexão discada da época…As fotos tem aquela cara antiga… e por aí vai.

Contudo, este é um livro que eu gostaria de ter escrito. Seu conteúdo essencial é atual até hoje e parte da premissa de que D/s BDSM pode ser divertido, agradável e sadio.

Screw The Roses, Send Me The Thorns (Fodam-se as Rosas, Dêem-me os Espinhos), escrito por Philip Miller e Molly Devon, é o livro em questão. Em seus dez capítulos e apêndices eles falam sobre inúmeras facetas do mundo D/s – BDSM,  incluindo definições, negociação, leis, anatomia, técnicas, como mobiliar sua masmorra, enfim, é um almanaque amplo, leve e divertido, sem deixar em momento algum de tratar o assunto com seriedade.

NÃO. ESTE NÃO É O SAGRADO MANUAL DO BDSM.

Para ilustrar um pouco o que eu digo, apresento abaixo um trecho que traduzi de forma livre do capítulo sobre “Negociação” (“The Politics of Very Strange Bedfellows). É uma espécie de checklist sobre as qualidades a buscar no Top/bottom.

(Utilizo o feminino para bottom e masculino para o Top apenas por ser minha referência. O sexo dos papéis pode ser considerado da maneira que mais lhes aprouver). Aí vai:

Busque em um Top:

  • Torso masculino nu.

    Top?

    Alguém com quem você possa se comunicar bem. Você pode ser um tagarela com suas amigas e ficar mais fechada que uma ostra quando estiver com um Top. D/s -BDSM requer um fluxo sólido e constante de comunicação para que o relacionamento se mantenha seguro e satisfatório. O cara que você encontrar pode ser “O Delícia”, mas se você não encontrar uma maneira de sintonizar com ele numa frequência clara e nítida, mude de estação

  • Alguém que seja cuidadoso, que tenha preocupação com segurança. Especialmente se seu “couro” estiver pra ser testado.
  • Alguém que saiba diferenciar a realidade da fantasia
  • Alguém que respeite seus limites. Os limites podem ser elásticos ou serem estendidos ao longo do tempo e com o conhecimento mútuo e a intimidade. Mas nenhuma sub deve ser forçada a fazer algo que realmente não queira.
  • Alguém que conheça suas próprias limitações. Aqui o lado oposto do colocado acima também é válido. Não force seu Top a executar uma prática que ele não domina. Se for de interesse de ambos, o conhecimento e a prática necessária devem vir primeiro.
  • Alguém que valorize-a como pessoa e a considere como igual. Quando os papéis de Top e bottom estiverem sendo exercidos, vale tudo o que estiver acordado. Mas quando a realidade assume e a fantasia desaparece, vocês são parceiros nas mesmas condições.
  • Alguém que considere a satisfação da parceira tanto quanto seu próprio prazer (isso não deveria ser básico?). Mais uma vez me repito:  ter sua satisfação imediata negada poder ser uma fonte de prazer. Tudo é uma questão de interação.
  •  Alguém que compreenda o que está provocando no outro. O conhecimento, prática e experimentação são necessários.
  • Alguém que seja paciente. Sintonia leva tempo.

 

Busque numa submissa:

  • Alguém que respeite a si mesma
  • Alguém que não deseje ser abusada de forma real.
  • Alguém que saiba diferenciar a realidade da fantasia
  •  Alguém que não esteja buscando uma pessoa para tomar conta de sua vida, mas uma pessoa para tornar a experiência de vida mais prazerosa
  • Alguém em que você possa confiar e que não vá acusa-lo de estupro após ter implorado para ser sequestrada e violentada em um “rape play”
  • Alguém que seja sábia para deixa-lo conhece-la, saber o que lhe dá prazer, o que

    Mulher seminua sendo agarrada por trás por um homem

    Poder..

    ela deseja. A comunicação é essencial nesta via também.

  • Alguém que não tente comandá-lo a fazer as coisas apenas da forma que lhe agrada, ou que tente transformar seu jeito de dominar (“Topping From the Bottom”)
  • Alguém que seja paciente. Sintonia leva tempo.

Como vocês podem observar, estas observações são bastante atuais. E eu diria que recomendáveis. Mas, sou suspeito. Afinal, eu queria ter escrito esse livro. Quem sabe…não, não sei. Certas coisas levam tempo.

(Exceto pela capa, as imagens foram retiradas de comunidades do Google+)

 

 


Publicado originalmente em 13 de outubro de 2013.

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