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Contexto

Contexto
“Apresente-se!” “De Joelhos!” “Você não se comporta como submissa” “Como ousa falar comigo desse jeito” “Você deve me chamar pelo meu título em letras maiúsculas” Essas são algumas das frases proferidas por “dominadores” no ambiente da comunicação online. Há outras, de vários…naipes, por assim dizer, podem ter certeza. Mas também há ou outro lado da conversa: “posso me aproximar, Sr.?” “prostro-me a teus és em reverência, Sr.” “Esta escrava pode se aproximar, Mestre?” O que há de errado com essas frases? Nada. Absolutamente nada. O problema é o contexto. Elas pressupõem uma verdade absoluta, uma realidade absoluta, um padrão de comportamento que define quem é “verdadeiro” ou não. E, como todo absoluto, é uma falácia. O universo BDSM tem inúmeras vertentes. Papéis, tríades, bases, há muitos conceitos que funcionam como uma estrutura básica, um consenso “raiz”, vamos dizer. As chances do que te atrai neste mundo estar em algum lugar dentro deste arcabouço, é bastante grande. Comecei uma busca para embasar meu raciocínio, já que não sou muito de “achismos”. Descobri que dados estatísticos sobre BDSM existem , mas uma boa filtragem tem que ser feita, para obter-se o resultado relevante ao que se procura de fontes reais. Apenas para ilustrar o que disse acima, segue:
Distribuição de "kinks" sem distinção de gênero

Distribuição de “kinks” sem distinção de gênero (biológico, para elidir polêmicas contemporâneas)

Distribuição de "kinks" entre o público Masculino

Distribuição de “kinks” entre o público Masculino

Distribuição de "kinks" entre o público Feminino

Distribuição de “kinks” entre o público Feminino

Estes dados foram obtidos do total de usuários Fetlife , em dezembro de 2014, neste link[1]. Vou destacar apenas alguns dados:
  1. Sem distinção de gêneros, temos Switch com maior número de pessoas, tendo em seguida Sub and Dom (lembrando que essa é a classificação do Fetlife)
  2. Com distinção de gêneros, temos apenas 26% da população masculina se assumindo como Dom, e 35% da população feminina se assumindo como Sub
Depois disso tudo, volto ao meu raciocínio: Contexto. Presumir que todos(as) os(as) Tops são dominadores e que todos(as) Bottoms são submissos(as) é de uma arrogância e desconhecimento contundentes. Significa agir sem informação, agir como curioso, brincar com assuntos que geralmente tem um peso grande dentro da personalidade de cada um. Significa dizer que apenas o que eu acho está certo, que apenas a minha vontade funciona, apenas o meu sonho deve se realizar, porque a realidade é assim. A realidade de cada um constitui o que combinamos entre nós chamar de “a realidade”. Tudo precisa de contexto. Sem contexto não temos nada, apenas achismos. D/s é apenas um aspecto de um mundo muito maior. Romantizá-lo, elevá-lo ao Olimpo, segui-lo como tendência da moda, é encarar levianamente o próprio par D/s, como também negligenciar todos os outros aspectos contidos no arcabouço BDSM. E, ao fazer isso você irá negligenciar não apenas aspectos, mas os sonhos, fantasias e desejos de outras pessoas. Sinto que as pessoas usam o espaço online como se fosse um grande teatro, onde quem está atrás de um apelido, de um perfil, de uma avatar não fosse uma pessoa. Como se fosse apenas um conjunto de bits disponível para sua diversão. A inversão que faz do instrumento a realidade é a mesma que achata a capacidade de pensar e de questionar, e que faz a ilusão parecer verdade, a parte parecer o todo. Um momento de realidade com alguém que signifique muito e que se encaixe em suas fantasias, e nas fantasias de quem você se encaixe, é um tesouro inestimável, um momento que pode valer por toda uma vida. Acreditem. Vivam.
Mulher nua com óculos de realidade virtual

Será que é isso…

Homem com óculos de realidade virtual.

…que você procura?

                [1] https://imgur.com/a/tLcWL. Segue em destaque informações sobre a amostra (bastante considerável: “”NOTES: WHAT IS AN ACTIVE USER I did not want to include all of the shitty dead accounts on fetlife for my data… When I stopped my script, I had collected data from all ~3.5 million users that existed at the time. I had my data exclude people with less then 3 friends, and people who did not have activity within the past month. This left over 300 thousand “ACTIVE” profiles. From that group I also excluded people who did not put down a sex/age. It made it much easier to graph this stuff and only excluded an additional .5% of the final data which I considered negligible.”

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