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Bad Romance

Bad Romance

A história deste texto começou com uma resposta a um post, que por sua vez falava de um texto sobre manipulação no BDSM. O que segue é o resultado.

A manipulação precisa de algum eco para funcionar. Não estou invertendo responsabilidades ou culpabilizando quem é vítima. Mas a situação descrita no texto infelizmente é muito comum.

A partir do momento em que o abuso existe, em que a violência se efetivou, o “aftercare” disfarçado de carinho e cuidado, com camadas de “eu sei melhor do que você sobre o que você está sentindo” só encontra eco se há expectativa de que “talvez deva ser assim”.

Outro dia estava respondendo outro post e mencionei que muitas pessoas buscam BDSM como uma aparente “saída fácil” para situações como solidão, insegurança, baixa autoestima (ou autoestima em excesso), assim como outros buscam por achar que é um caminho para o sexo fácil, ou para viabilizar abusos (independente de gênero)

Homem com punho fechado se aproximando de mulher encolhida no chãoIsso é uma receita para desastre, em quaisquer das opções. Pensem colocando o componente BDSM entre parêntesis por um instante. Revejam a situação descrita com esse filtro. É uma situação de estupro. Se o estuprador viesse conversar dizendo “você queria, você me provocou, você me enganou e me induziu a fazer isso com você” qual seria sua reação?

O fato é que se ele se revestir do título de Dom Lord Supremo Charmoso Radiante que sabe melhor do que você sobre seus sentimentos não deveria fazer diferença. Continua sendo estupro, continua sendo não consensual.

Quando insistimos aqui e em diversos canais sobre se informar, sobre conhecer e , principalmente sobre sair do virtual e conhecer o que é real ANTES de se envolver em um relacionamento BDSM, parece que estamos tocando um disco rachado (para as pessoas mais novas seria como executar um arquivo mp3 corrompido), estamos alertando para que esse tipo de situação não aconteça.

Algemas e fitas sobre um livro aberto

O Sagrado Manual do BDSM não existe.

Ninguém nasce sabendo. Ninguém adivinha. Nem todo o conhecimento do mundo, nem todos os encontros ao vivo do planeta, podem evitar que algo assim aconteça. O que tudo isso pode fazer é tem lembrar que o caminho BDSM tem que ser saudável e consciente.

Não é para ser o último recurso, não é pra fazer terapia, não é pra minimizar a dor de um trauma, não é, repito, uma saída fácil quando tudo mais falhar.

É um tipo de relacionamento que tem complexidade, e que exige pessoas que, mesmo em situações de desequilíbrio emocional, mesmo passando por problemas, consigam sempre ter a noção clara de que não existe uma relação de causa e efeito. Mesmo que seja para fazer uma sessão apenas, deve ser um momento de prazer, de regozijo, de conforto, e que envolve outra pessoa que deve ter o mesmo tipo de pensamento.

Quem é Top, jamais deve perder de vista o estado emocional, mental, físico do bottom com quem está e tem a responsabilidade gigante de não iniciar nada ao detectar qualquer tipo de desequilíbrio que possa ser danoso. Quem é bottom tem a responsabilidade de saber que sua integridade em todos os aspectos deve ser respeitada, não importa o quão masoquista ou submissa ela seja. Se isso sumir de vista, há algo errado.

Resumindo: ninguém sabe mais do que você sobre o que você está sentindo. Você pode estar confuso, triste, deprimido, não importa: você é quem pode identificar e modificar essa situação. Se precisar de ajuda, peça. Não deixe que ninguém diga quem você é.

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