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Marcus Silver

Marcus Silver

No período em que reescrevo esta seção, (agosto de 2020), tudo anda congelado. Como se fosse um inverno apocalíptico - no momento, só temos a esperança de que não seja. A distância, minha antiga companheira de viagem, agora toma contornos assustadores

Nestes tempos de isolamento, cada um tem suas idéias e atividades ocupacionais. Como meus escritos estão parados – por várias razões meus textos andam “congelados” - resolvi arriscar e escrever uma seção “Sobre mim” focada em meu envolvimento com o BDSM. Quem sabe, mesmo quem me conhece, pode se surpreender...

Querendo ou não, sou uma referência em Shibari para muitas pessoas sérias do meio, um privilégio que conquistei mesmo com poucas demonstrações de minha técnica -arte? - devido ao meu enorme nível de exigência e autocrítica. É um fato: realmente, as cordas são minha paixão. Mas elas não me definem...não sozinhas...são a ponta do Iceberg.

Sou Top. Sádico. Ok, bom começo certo? Já dá para ter uma idéia do meu lado da balança...ou não? Bem, eu costumo ser ponto fora da curva com muitas coisas. Com o sadismo não seria diferente. Estou longe do estereótipo do sadismo diretamente relacionado a impact play em suas diversas formas. Não sou avesso às mesmas, diga-se de passagem, mas meu foco é, digamos, mais sutil...

Não que as cordas estejam longe do sadismo...lembrem-se que a origem do Shibari é o Hojojutsu...método de tortura de prisioneiros no Japão feudal... Pesquisem “semenawa”, também. As cordas estão longe de ser apenas construções estéticas e belas...

Mas sim, vamos lá: práticas, preferências... A mais comum relacionada ao Shibari com bastante frequência é o wax play. A combinação estética mais uma vez chama a atenção. Contudo a beleza é um disfarce. As cordas combinadas de forma segura com as velas podem criar situações, digamos, quentes e um tanto desconfortáveis, mesmo para quem está acostumada com as velas.

Mordaças...adoro...de todos os tipos que imaginarem...

Fetiches...tenho alguns clássicos

Que mais? São tantas...Medical play...algumas práticas obscuras passam pela mente do Dr. Silver...

O que eu quero enfatizar é que, tirando práticas que não me causam grande inspiração,  qualquer uma cujo conhecimento me seja pertinente será usada da maneira mais inusitada...buscando o resultado de maior impacto. Isso, para mim...também é sadismo. A criação de situações inescapáveis, com opções que não são verdadeiramente opções...Maquiavelismo que chama?

Mas tudo isso só dará certo...se existir uma conexão com a pessoa do outro lado...se existir contexto.. Conhecer como a outra pessoa funciona, e deixá-la saber como eu funciono, essa troca é o ingrediente principal para que a intensidade se estabeleça

Por isso a bottom extremamente passiva me entedia. Por isso as brats me encantam (até um certo ponto...) ...por isso as mulheres vivazes, inteligentes, seguras e que escolhem se render e se entregar...e as que aceitam minha entrega...são as que mais me atraem.

O que eu quero dizer com tudo isso é: eu não sou o “cara das cordas” apenas...assim como ninguém é apenas uma das coisas que faz. Sou muito mais que isso. Por isso não gosto muito de rótulos. Por isso conversar e conhecer é o melhor caminho.

Sem contexto, o que resta é o vazio.

 

Marcus Silver

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