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As Belas…

As Belas…

Quando tudo ainda era mato, e os dinossauros andavam sobre a terra, a internet ainda usava fraldas, não havia o que se chama “mídias sociais”. A pessoa que se descobria “BDSMer” (as formas dessa descoberta eram sempre curiosas, a informação era dispersa) tinha que utilizar metodologias e tecnologias diversas para achar outros(as) como ela.

Por exemplo, acreditam que se utilizava papel, caneta, envelopes e selos para escrever algo chamado “carta” que tinha que ser enviada para os Correios e assim chegar a seu destino? Que os grupos de procura usavam classificados em revistas “eróticas”?

As conversas online, quando apareceram, se faziam em salas de chat que aos poucos criavam espaços específicos para o tema. Os cenozoicos como eu reconheceram os termos “Mandic” e “Bate papo Uol”.

Pois bem, avançando um pouco no tempo, havia no Rio de Janeiro um encontro informal sobre BDSM, o “BDSM RIO” administrado na época pela Gordinha RJ. Este encontro acontecia em uma sala reservada em um restaurante no centro do Rio, para facilitar o acesso de pessoas das mais diversas localidades. Lá as pessoas se sentavam numa mesa de bar, bebiam, conversavam, falavam sobre variedades, E inclusive BDSM.

Mesa com xíxara de café, flogger, máscara e algemas

Só um cafezinho…

Foi num desses encontros que “apareci” para o “meio” (esse texto está com aspas demais…). Descobri as pessoas por trás dos apelidos, descobri que muita gente calada nas salas de bate papo era muito falante ao vivo, que muita gente arrogante continuava arrogante, mas  mais importante de tudo isso era que o espaço não julgava, não rotulava e você era bem vindo fosse o que fosse, top, bottom, switch…Ali você trocava idéias se descobria, contava e ouvia histórias e sabia que tudo o que parecia apenas imaginado poderia(era) real. Graças a esses encontros pude vivenciar ótimas experiências. Até me casei!

Todo esse preâmbulo para falar do Belas da Tarde.

Passaram-se muitos anos – sou um dinossauro que ainda não está extinto – e vim a descobrir em São Paulo um encontro que me lembrou muito algumas das boas características do BDSM Rio.

Apesar do Belas estar voltado para bottoms, o espírito informal está presente. Todas as pessoas são bem-vindas, para se conhecerem trocarem vivências, esclarecer dúvidas, discutir sobre temas diversos, num ambiente acolhedor e protegido.

Tudo isso conduzido e orquestrado por duas Belas. Ah, as Belas…

Lady Silvia (cujo título não vem de uma posição Top e sim de uma elegância e educação ímpares) é uma bottom com muita bagagem no meio, com um bom senso extraordinário, inteligência, sutileza, charme e simpatia. Ela é uma das orquestradoras deste ótimo evento.

Harleen de Jack Napier, outra bela, é a outra criadora deste encontro. Com uma sagacidade ímpar, uma simpatia contundente, atenciosa, com conhecimento e sabedoria facilmente deixa claro que é possível ser séria e responsável e assim como bem-humorada e acolhedora. A prova de que estereótipos são simplificações equivocadas.

Eu tenho orgulho de chamar ambas de amigas. Elas e outras pessoas foram responsáveis por me tirar da caverna isolada onde eu estava e voltar a participar do meio, mesmo que a quilômetros de distância.

O Belas da Tarde deu tão certo que virou programa de rádio, transmitido pela Internet, com discussões sobre temas relevantes semanalmente!

Eu recomendo a todos(as) os(as) bottoms iniciantes, que querem se aventurar no meio BDSM, que procurem esse encontro como porta de entrada. Eu garanto que não irão se arrepender, e terão muitos obstáculos removidos do caminho.

Quanto mais Belas, menos escuridão, e mais tardes tranquilas e iluminadas pela luz do acolhimento. Quanto mais Belas, mais nítido fica o caminho pavimentado pela clareza e informação..

Que de” disse me disse” e “mimimi” o inferno já está cheio…

Kirsten Dunst como Marie Antoinette

Ah, as Belas…

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