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Aos Iniciantes…

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by | Fetlife, BDSM | 2 comments

Caricatura de garota amarrada

E agora…?

O “mainstream” D/s – BDSM é permeado invariavelmente por obras de autores que evidenciam sua visão de como vivenciar um relacionamento nesse universo. Algumas obras tornaram-se clássicos (por exemplo “Justine”, “120 dias de Sodoma”, de Sade e “A Vênus das peles”, de Masoch), e os sobrenomes de seus autores definiram os termos sadismo e masoquismo.

Obras mais contemporâneas como “A História de O” de Pauline Réage, a série de livros relacionados a Gor, de John Norman, definiram padrões de comportamento adotados por praticantes do gênero na vida real.

Acho importante que existam expressões culturais em diversos tipos de mídia que permitam essa identificação, tanto por desvendarem um mundo (ou submundo, que existia/existe nas sombras) como por agregarem em torno delas mesmas pessoas que passam a não mais se ver como solitárias e únicas com as mesmas idéias[1].

Contudo, algo me incomoda profundamente. Como acredito em intercâmbio de poder, na troca existente entre os que assumem as posições de dominador e submissa (sintam-se à vontade para alternarem os gêneros), acredito também na unicidade da existência de um conjunto de regras dessa relação. Ou seja: o padrão é particular aos envolvidos.

Esse padrão pode incorporar regras de um único ou vários universos, obras, filmes, quadrinhos, etc., mas prima, principalmente, pelo que funciona em termos de excitação, prazer e significado para quem os escolhe. Criar o próprio conjunto de regras, fluido ou rígido, plagiando ou reinventando, é o que dá valor e energia vívida e enriquecedora àquela conexão.

Portanto, não me venham falar do que é certo ou errado do como deve portar-se um “Dom”, “Dominador”, “Dono”, “Senhor”, “Submissa” (é, com maiúscula, mesmo), “Serva”, “Escrava”, “Kajira”, por que isso depende do consenso estabelecido principalmente entre os pares que compões esses relacionamentos.

Acho ótimo que se formem os grupos, associações, sociedades, ente outros. Que eles estabeleçam seus códigos. Mas que não os propaguem como A Verdade, O Correto, A Lei, porque não sou obrigado a aceita-las ou a me comportar como esperado se eles não fazem o menor sentido para mim.

Quem se inicia geralmente pergunta ou tem dúvidas sobre como se portar, qual a maneira correta de ser ou exercer o papel que lhe atrai nesse contexto. Mas se esquecem dos sonhos, das fantasias, das histórias que os levaram até ali em primeiro lugar. Esses deveriam ser os reais pontos de partida.[2]

Converse, discuta, leia, assista, conheça, se informe.  Tire suas próprias conclusões. Escolha suas próprias leis. Então procure o que realmente lhe interessa, o que lhe dá tesão. Porque o “Código Sagrado do BDSM em 10 volumes” não existe. Mas sinta-se à vontade para criar um. Só não o empurre goela abaixo de ninguém.


[1] Sou contra o acordo Ortográfico. Para mim, idéia sempre terá acento.

[2] Por favor, ignorem “50 tons”, considero um grande desserviço ao universo D/s-BDSM como obra de referência.

Originalmente publicado em 31/08/2013

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2 Comments

  1. Avatar

    Por que 50 Tons de cinza é pérfido para você? Por que muita gente fala que o filme não tem nada a ver com BDSM, e isso não me refiro só a você?
    Deixando de lado os fantasiosos U$, acho que este filme trouxe aos leigos um pouco do universo BDSM sim, me corrija se eu estiver errada, mas pelo menos o quarto dos brinquedos nos remete às masmorras espalhadas pelo mundo ou não? Tudo bem que nunca estive em uma masmorra, mas imagino que tenha algo a ver diante de alguns videos e imagens que são divulgados nas mídias, redes sociais, etc….

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    • Shadoweaver

      Posso ter carregado nas tintas, Morgana…e talvez , pérfido não sejam os livros/filmes em si…mas a veiculação que é feita do que é BDSM, quando os personagens principais não fazem sentido dentro desse mundo. O Top não é switch, a bottom não é sub, e fica a idéia de que as pessoas envolvidas são perturbadas. Não estou questionando a plasticidade ou estética, e as possibilidades de que algumas cenas mostrem as portas para um novo mundo…mas eu considero que a imagem de quem é do BDSM fica mais deturpada do que já é, via a interpretação da autora / diretor. Mas concordo que o termo foi pesado. Merece uma revisão. Grato por chamar minha atenção sobre isso.

      Reply

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