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A Hora da Aventura

A Hora da Aventura

Confusa(o) com os acrônimos BDSM, RACK, TPE, e outros? Em dúvida sobre top ou bottom (quem sabe switch)? Não sabe se pode se dirigir à Rainha Madame Suprema do Poder Absoluto diretamente? Ajoelhar é obrigatório? Não sabe o que dizer quando alguém invade seu “pv” ordenando que se apresente? Surpresa(o) quando juras de amor eterno e submissão incondicional lhe são feitas após 5 minutos de conversa?

Bem, seus problemas acabaram. A solução para todas essas questões é fácil: seja você mesmo(a). Não, não é resposta de cartomante nem biscoito da sorte, não é uma orientação do sábio do Himalaia. O que estou tentando dizer é que antes de todas as perguntas e antes de todas as respostas, você é uma pessoa.  Uma pessoa com perguntas, sim, mas além delas, com uma história de vida, com sentimentos, com qualidades e com defeitos – cuja luta para superar ou aceitar é diária – e que tem um interesse pelo mundo que está por trás dessas perguntas.

Se você perder essa dimensão, você vai se perder no redemoinho das respostas. Se não partir de quem você é do que gosta, do que não gosta, do que deseja ou não, do que faz sentido ou não, se verá forçado(a) a escolher entre opções oferecidas como únicas e que provavelmente não lhe dizem respeito de forma significativa.

Imagem com latas de sopa e estereótipos bdsm

Rótulos são para enlatados…

Antes de colar uma etiqueta na testa (ou no lugar que preferir) dizendo que você é isso ou aquilo, antes de obedecer a regras insanas – ou ridículas – apresentadas como “ a maneira certa”, verifique dentro de sua cachola (ou templo interior se quiser algo mais chique) e se pergunte se faz sentido se existe eco dentro de você, dentro de sua percepção de “sou eu na vida”.

Uma vez que tenha essa dimensão bem ativa, funcionando com a sua respiração, pode se debruçar no manancial de informações, conceitos, idéias técnicas, protocolos, práticas. As opções são tantas e tão diferentes, variadas, mesmo que fazendo parte de um universo comum.

Compare com o que te trouxe até aqui. Foi uma imagem, um livro, um filme, uma cena, uma conversa, um post, uma discussão, um evento na sua história…o que chamou sua atenção para esse mundo? O que, em tudo que está pesquisando, se aproxima mais do que te fez sentir viva(o), diferente, instigada(o)? O que te deu tesão?

Essa comparação irá te apontar caminhos. E em algum momento te fará interagir com pessoas. E, de novo: neste momento você ainda não é nada que digam, é você mesma(o). Se seu(sua) interlocutor(a) não reconhecer isso, você está diante de alguém que se reduziu a um papel e que quer impor a mesma redução a você. Não aceite isso.

Ao aceitar ser quem o(a) outro(a) deseja – não estou falando aqui de realização de uma fantasia de submissão, mas de aceitar um papel imposto sem a sua concordância – você estará assumindo e aceitando que esse outro(a) sabe o que é melhor pra você. E esse é o ponto.

Se você não sabe o que é melhor para você, e precisa que lhe digam, você está no lugar errado. Não estou falando de dúvidas e questionamentos, mas de aceitar uma posição independente delas. Se você não puder discutir ou questionar por que “um(a) [encaixe aqui seu papel favorito] verdadeiro(a) não perguntaria ou questionaria ou discutiria” você está com a pessoa errada.

Existe um momento antes de se partir para uma aventura nesse mundo onde você se sente confortável com o conhecimento que tem (mesmo que seja pouco, mesmo que seja superficial). Neste momento, você escolhe, baseado(a) nesse conhecimento, qual papel deseja assumir. E essa aventura irá lhe permitir verificar se faz sentido, se tem eco, e se é por essa rota que deseja prosseguir, ou se quer mudar, ou se a rota é certa mas a pessoa é errada.

E isso, é algo com que já convivemos em nosso cotidiano normal. Quantas vezes a pessoa certa é impossível, quantas vezes a rota é repleta de opções que não agradam? Por que isso seria diferente no mundo BDSM? Porque não importa qual papel seja incorporado a quem você é, a decisão é sua.

Um desvio é necessário: “pessoa certa” é diferente de “pessoa ideal”. E a pessoa certa pode ser certa apenas para aquele momento. Você muda, as outras pessoas mudam também. Sem busca a príncipes e princesas aqui, me poupem.

É como dançar. Com o parceiro certo, você se sente em um musical da Broadway. Com a parceira errada, você se sente andando na lama.

Se informe, converse, entenda, escolha os protocolos que mais lhe agradem – é, existe mais de um – busque prazer, busque o que te faça sorrir. Entenda os vários lados, papéis tipos, práticas e se aprofunde no que mais tiver significado. Provavelmente, já era parte de quem você é apenas estava nas sombras. Nada contra as sombras, elas são sinal de que há luz.

Viver BDSM é viver sua vida. Não é se transformar em quem você não é, não é mudar de personalidade, é viver sua personalidade como um todo. Não há problema em vivenciar e se aprofundar, seja por semelhança ou oposição a quem você é fora das as sombras. Só irá enriquecer o seu caminho

Ao embarcar numa aventura, por mais que escolha ser um personagem, ele só terá vida porque você irá emprestar a ele o que for real, o que for seu, verdadeiro. Se for apenas uma máscara…você será a pessoa errada para você mesma, e para quem estiver representando.

Bolinhas amarelas com o emoji smiley

Sorria mais.

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