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10 Dicas Para Um Primeiro Encontro (Bottom version)

10 Dicas Para Um Primeiro Encontro (Bottom version)

10 Dicas Para Um Primeiro Encontro (Bottom version)

by | Fetlife, BDSM | 2 comments

Um dos questionamentos mais frequentes que ouço de pessoas (bottom[1]) que gostariam de experimentar  BDSM, é que elas não se sentem seguras de se colocar em uma situação risco por estarem indefesas e a mercê de outra que pode fazer com elas o que desejarem.

Isso tem tantas implicações que pediria um livro, talvez, para explorá-las. Vou ater-me aqui a algumas considerações que considero esclarecedoras e que talvez ajudem na decisão difícil que é se entregar[2] à outra pessoa pela primeira vez.

Em primeiro lugar, uma ressalva: é uma falácia achar que só os bottoms devem se preocupar em um primeiro encontro. Existem armadilhas de ambos os lados. Um texto sobre  as armadilhas para Tops está no forno.

Passo então, a alguns tópicos que deveriam ser levados em conta pelos mais empolgados, e que podem ser um estímulo a quem se sente inseguro.

  1. Converse e se informe. É fundamental o diálogo. Compreendo que haja informações de foro privativo que devem permanecer sigilosas para ambas as partes, enquanto não se estabelecer a confiança para tal. Mas conhecer o mais possível sobre a pessoa com quem irá se encontrar é imprescindível.

    Mulher amarrada aparentemente em diálogo com um homem, ambos sentados à uma mesa

    Negociação tardia…

    Idade, tipo físico, aparência, profissão, telefone, e-mail e quaisquer outros dados que sejam espontaneamente fornecidos tornam a pessoa do perfil um pouco mais real.

  2. Deixe claros seu limites intransponíveis. Se você deixou claro que não inclui escatologia (apenas um exemplo) em suas práticas desejadas, qualquer menção a “você tem que aceitar porque eu sou o Mestre” ou “Quero que faça isso comigo porque existe para me servir” é um mau sinal. Corra.
  3. Autoridades. Isso é complicado. Pessoas que se intitulam “Sagrado Mestre Senhor Supremo Radiante Que Brilha No Escuro” ou “Kajira dos Sete Véus Da Submissão Absoluta”, com seus alegados mais de vinte anos de experiência no “meio”, são pessoas de quem eu desconfiaria a priori. Ninguém garante que a experiência tenha sido positiva ou real, ou que o conhecimento não seja apenas uma fantasia. Converse, descubra. Certo e errado são muito relativos. Às vezes o título é só uma brincadeira, e há uma pessoa interessante de se conhecer por trás o mesmo. As estatísticas, contudo, não favorecem essa última opção.
  4. Grupos. Procure grupos de discussão, compartilhe seus receios, suas dúvidas. Cuidado pois as mesmas pessoas do item acima também frequentam esses grupos, mas em minoria. Há uma boa chance de você conhecer alguém que te ajude nos primeiros passos do caminho.
  5. Quem. Se você achar que tem uma idéia[3] razoavelmente clara de quem é a pessoa a quem você irá se submeter, você já pode começar a pensar em um encontro real. Se o “Quem” for uma nuvem negra cheia de interrogações, não se arrisque. Faça o teste NAS (Nu(a), Amarrado(a) e Sozinho(a)). Se você sente que poderia ficar nessas condições com a pessoa, isso é um bom sinal para seguir em frente.
  6. Quando. Se você se sente bem com o “quem” o “quando” é, literalmente, uma questão de tempo.  Alguns “quandos” a serem evitados:
    • Cansaço físico
    • Estados emocionais alterados (depressão, raiva, tristeza, etc)
    • Doença de qualquer tipo
    • Falta de privacidade adequada (imagine alguém vindo socorrer a submissa e bater no dominador)
    • Falta de materiais adequados (improviso é bom, mas há que se ter cuidado)
    • O encontro deve estar bem negociado. Nada de “a gente vê depois” “depois a gente fala sobre isso, quando chegar lá”. Negativo. Tem muito chão até chegar nesse nível.
  7. Onde. É importante também. Um lugar não precisa ser a “Suíte Temática do SM”, até porque esses a maioria destes lugares são preparados por pessoas sem a menor idéia do que estão fazendo.  Pode ser o quarto mais simples ou um lugar sofisticado e com charme, mas tem que ter privacidade  e não ser intimidador. Principalmente para uma primeira experiência.
  8. O Quê e Por Quê. Se você não consegue responder a isso, está no lugar errado. Corra. É, agora!…Corra, rápido! Cai fora daqui!!
  9. Alarme silencioso. Bem, você achou alguém interessante, conversou muito, deixou seus interesses claros, limites expostos de maneira indecente, encontro combinado…que mais você pode fazer? Bom isso exige um recurso escasso: um amigo de verdade. Se você possui esse luxo, conspire e converse com essa pessoa. Conte a ela o que vai fazer, tudo que sabe de com quem vai fazer, a que horas vai acontecer, e o mais importante: qual será a duração prevista. Um simples encontro pode se desenvolver e algo mais interessante. Ou o encontro interessante pode se estender.  

    Mãos amarradas tentando alcançar um celular

    Não espere até chegar a esse ponto

    A chave deste tópico é:  deixe claro para a pessoa com quem você irá se encontrar, e para a pessoa que vai atender, que uma ligação será feita, apenas para informar onde você está indo, e, talvez, outra para informar se você está bem.  Um Top sério certamente irá compreender e respeitar sua precaução.
    Isso pode parecer um exagero, especialmente se você é uma pessoa experiente. Mas pode ser o apoio de que você precisa para sair da intenção e partir para a ação.  Caso seja necessário, combine uma palavra para indicar um alarme, se, no fim das contas, você se sentir em risco. Por exemplo, se algo como “não, ele(a) não é um(a) Escrotossauro(a)”, não for dito, pode ser o sinal de alarme para o envio de socorro.
    Esse recurso deve ser visto como um suporte e não como uma garantia de segurança.

  10. Confiança. Você pode pegar tudo que eu disse acima e resumir nessa palavra. O problema é que confiança não é um interruptor de liga/desliga, mas um sentimento que é construído aos poucos, leva tempo. Se com mais ou menos tempo, vai depender da clareza e do diálogo que se estabeleça. Para mim, ele deve durar enquanto o relacionamento existir. Ou o próprio relacionamento cessa e se esvai. É, e vale pra qualquer relacionamento.

Leia, investigue, converse, descubra, fale, questione (sim, você pode questionar!!!!), divirta-se no processo, se puder.  BDSM não “tem que ser” algo sombrio, sério e intimidador o tempo todo. Tudo em excesso faz mal. Hein? Não, não acredito em 24/7.

Seja você mesmo e respeite seus desejos e sentimentos. Existe alguém que vai gostar disso. Acredite, não desista, e boa sorte.


[1] Termo aqui  referindo-se à pessoa que se submete à outra para as práticas  contidas em BDSM.

[2] Entrega , aqui também usada de uma forma genérica, significando apenas o ato de se colocar sob o controle de outra pessoa, e não explorada na devida profundidade, assunto que é tema de outro escrito.

[3] Sou contra o acordo ortográfico. Idéia pra a mim sempre terá acento.

Originalmente publicado em 31/08/2013

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2 Comments

  1. Avatar

    Marcus como saber quais são os meus limites? Pode haver garantias no bdsm?
    Por que você não concorda com o “around the clock servisse”?
    Me too, mas infelizmente somos minoria…” sou contra o acordo ortográfico. Idéia pra mim sempre terá acento”.

    Reply
    • Shadoweaver

      Around the clock ou 24/7 é uma situação que necessita de um entrosamento muito bom entre as partes . e não significa viver aprisionada numa masmorra por 24 horas. Implica em ter sua vida própria e introduzir nela o BDSM (pelo menos da forma como eu entendo) . Pode ser muito prazeroso ou muito complicado. Especialmente se apresentado como opção em um primeiro encontro.
      Seus limites? Eles vão de extremos (coisas que você não faria nem por um milhão de dólares ou pela pessoa mais amada) a situações onde você pode aceitar experimentar para ver como se sente. è algo muito sutil e a melhor forma de descobrir é se relacionando com uma pessoa séria e de confiança. Essas duas características vão estabelecer o que podemos chamar de garantias.

      Reply

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