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10 Dicas de Segurança para a Prática do Kinbaku

10 Dicas de Segurança para a Prática do Kinbaku

10 Dicas de Segurança para a Prática do Kinbaku

by | Fetlife, Kinbaku/Shibari | 0 comments

  1. Você está amarrando um ser humano, não uma caixa de mudança.
    Não me cabe aqui dizer ou indicar qual a melhor forma ou a maneira correta de vivenciar uma relação Top/bottom ou citar o manual do BDSM (que, por sinal, não existe). Mas cabe lembrar que, por mais que ambas as pessoas envolvidas conheçam os riscos e estejam cientes deles, a segurança tem que ser o principal fator aqui. Você pode querer usar as cordas como uma demonstração de sua força, criar amarrações que testam os limites da elasticidade humana ou você pode querer ser amarrado o mais apertado possível, ser deixado incapaz de mover-se um palmo além do local onde foi deixado. Desde que todas as precauções sejam tomadas, tudo isso pode acontecer. Mas esteja atento durante todo o tempo. Coisas ruins e acidentes acontecem.
  2. Escolha cordas adequadas.
    O primeiro e mais comum erro que qualquer iniciante em amarrações comete (é inevitável, eu já passei por isso, quando mais jovem) é pegar a primeira corda mais comprida que aparecer e usá-la em seus projetos iniciais.
    A primeira escolha mais comum são as cordas de varal. Dessas, uma deve ser evitada a todo custo: as de nylon colorido. Além de serem péssimas para amarrar, devido a seu material escorregadio, elas podem provocar lacerações profundas na pele.O segundo tipo, as cordas que contém algodão, são menos ruins. O material é menos abrasivo, Mas os nós tendem a ficar presos, e a malha se esgarça. É uma corda “dura”.
    Dentre as abrasivas, temos ainda outra corda perigosa: a de sisal. Tão ou mais abrasiva que a de nylon, é muito áspera para a pele. E, acredite, você não precisa deste extra. Falarei mais à frente da diferença entre marcas e abrasões.



    Rolo de corda de juta

     

    Rolo de corda de juta

    A corda intermediária é a corda 100% de algodão. Ela é macia e permite algumas amarrações, mas cede fácil, e exige nós e estrutura mais apertados, o que pode causar problemas.
    Finalmente temos as cordas de juta e cânhamo. Estas cordas são as mais indicadas por serem de fibras naturais resistentes, macias e maleáveis, mas capazes de manter a estrutura em amarrações  complexas. São materiais difíceis de encontrar (o cânhamo é proibido no Brasil) por aqui, por isso, é mais fácil (e mais caro) importar. Mas vale muito a pena. O resultado é muito compensador e satisfatório, tanto para quem está amarrando como para quem está sendo amarrado.

  3. Tome cuidado com articulações e circulação.
    Seria ideal que todo mundo conhecesse anatomia. Mas isso não é viável. Mas algumas precauções são fáceis de se tomar quando você é responsável pela segurança de outra pessoa:3.1 Esteja sempre atento a detalhes como respiração, coloração da pele, temperatura. Estes são excelentes indicadores do estado saudável do amarrado

    3.2 Evite amarrar exatamente nas articulações. Sempre dois dedos acima de pulsos, cotovelos, joelhos tornozelos, etc.

    3.3 Evite amarrar sob as axilas e na depressão entre o braço e o antebraço.

    3.4 Nunca amarre o pescoço. Há técnicas para criar amarrações naquela região.

  4. Certifique-se de que o amarrado esteja bem hidratado e alimentado
    Pode parecer bobagem, mas como qualquer atividade física, praticar kinbaku sem uma alimentação adequada pode ser prejudicial, especialmente para o amarrado, que vai estar sujeito a uma série de situações sob pressão e stress. Bastante líquido e uma alimentação rica em fibras e pouca gordura é o ideal. Ir ao banheiro antes da amarração é recomendável…
  5. Não pratique kinbaku drogado ou em uma pessoa drogada.
    Não estou fazendo nenhum tipo de apologia a favor ou contra drogas. Não sou juiz de atitudes de ninguém. Mas, sendo uma prática que exige atenção constante e sujeita a acidentes se não supervisionada, não pratique kinbaku usando álcool, maconha, cocaína ou qualquer outra droga .
  6. Evite quedas
    O equilíbrio do corpo humano é muito mais complexo do que se imagina. Quando se ouve falar em quedas, geralmente a primeira coisa que vem à mente é um tropeção ou algum acidente que envolva os pés. O amarrado com seus pés imobilizados certamente é uma vítima em potencial desse tipo de acidente.
    Mas o que muita gente não sabe é que os braços são tão importantes quanto as pernas para a manutenção do equilíbrio. Um amarrado com as mãos imobilizadas está sujeito a muitas quedas, mesmo que seus pés estejam livres. Atenção sempre!
  7. Nunca deixe o amarrado sozinho
    Admito que a sensação de abandono pode acrescentar um tempero extra a uma cena, onde o amarrado espera, imobilizado, à mercê do amarrador, o que virá a seguir. Mas muito cuidado. Se for primordial para o efeito desejado que o amarrado fique sozinho, mantenha algum tipo de observação clara e nítida. Se utilizar uma câmera, eu indicaria uma de boa resolução e qualidade e que funcione no escuro se for o caso. Um vidro espelhado de dupla face tem que ter um campo de visão direto e nítido para o amarrado. Mas o melhor e mais seguro, e o que eu recomendo é não deixar o amarrado sozinho.
  8. Tenha sempre a mão um kit de segurança
    Eu pareço um papagaio de pirata falando em segurança, mas não me incomodo. Todo cuidado é pouco. É possível ter muito prazer e excitação com o kinbaku mantendo um ambiente dentro dos padrões de segurança que eu venho falando aqui. Tenha sempre num lugar de fácil acesso (de preferência sempre o mesmo lugar):8.1 Uma tesoura de segurança, conhecida no Brasil como “tesoura para gesso” (a parte rombuda é a mais segura para usar junto ao corpo do amarrado caso seja preciso cortar uma corda.
    Tesoura de Segurança

    Tesoura de Segurança

    8.2 Uma garrafa de água, para uma rápida hidratação se necessário

    8.3 Uma barra de cereais ou uma fruta, para reposição rápida de energia.

     

     

     

    8.4 Lista de telefones de emergência (e um aparelho celular, obviamente) próxima, em caso de necessidade

  9. Seja organizado
    Nunca deixe o material que não está usando espalhado pelo caminho. Coisas fora do lugar podem se danificar ou provocar acidentes (veja o item 6). E quanto ao material que está utilizando, faça com que seja parte da cena e não uma pilha de coisas jogadas a esmo. Cordas preparadas e quaisquer outros itens preparados e dispostos para uso e com fácil acesso, incrementam a cena e tornam tudo mais fácil e ágil.
  10.  A última e, talvez, a mais importante: O processo de amarração, à medida em que vai ficando mais elaborado, leva tempo. Por mais submissa e paciente que a pessoa que está sendo amarrada seja, há um limite que se atingido, leva embora a excitação e o prazer. Faça com que o processo, desse o início faça parte de uma interação. Envolva e se deixe envolver. Associe a amarração a suas regras do jogo D/s, alterne entre várias posturas (mais brusco, mais sensual, etc.), use as cordas a seu favor, como parte de algo maior, não como um obstáculo a ser vencido. Você verá que dessa forma, o resultado recompensará a ambos os envolvidos.
Originalmente publicado em 31/08/2013
P.S.: Atualmente (2018)  já há pessoas no Brasil fazendo cordas de qualidade. Me mande uma mensagem que eu passo a indicação.

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